Enfermagem Obstétrica
Panorama, Tendências e Perspectivas da Assistência Obstétrica no Brasil
Indicadores do Pacto pela vida Referentes a sáude da mulher
Proporção de nascidos vivos de mães com 4 ou mais e 7 consultas pré natal;
Razão de mortalidade materna;
Proporção de óbitos de mulheres em idade fértil investigados;
Proporção de partos cesáreos;
Brasil Urbano:
2004 83% da população vive em área urbanas
1940 41 milhões de habitantes;
28 milhões em áreas rurais
13 milhões em áreas urbanas
Censo 2000 170 milhões de brasileiros
138 milhões em áreas urbanas
32 milhões em regiões rurais
A População Envelhece
As mulheres vivem mais que os homens
1981; 6 idosos para cada 12 crianças até 5 anos
2004; 6 idosos para cada 5 crianças
Entre 1980 e 2007, cresceu de 7 para 17 milhões o numero de brasileiros com mais de 60 anos de idade;
66% da população brasileira encontra-se em idade reprodutiva.
Média de Filhos por Mulher
O numero de filhos por mulher vem diminuindo.
1940: 6,2 filhos
1980: 4,4 filhos
Em 2004 as mulheres passaram a ter em média 2 filhos, e a tendência é a queda.
Parto e Nascimento
Em nosso país a cesariana vem aumentando pouco a pouco;
1998; queda do número - governo federal parou de pagar o excesso de cesarianas;
Voltou a aumentar apartir de 2000 e continua crescendo;
A OMS recomenda que a taxa de cesaria esteja perto de 15%;
Em 2003 o índice chegou a 43% no SUS e 80% na sáude suplementar.
Mães Adolescentes
Entre 2000 e 2004, diminuiu 19% o número médio de filhos de mães adolescentes, embora ainda seja preocupante;
Em 2004 nasceram cerca de 3 milhões de crianças no Brasil, das quais 26.752 de mães entre 10 e 14 anos de idade.
No mesmo ano, 7 em cada 100 adolescentes entre 15 e 19 anos de idade tornaram-se mães.
Partos Hospitalares
No Brasil em 2005, 97,1% dos partos foram realizados no ambientye hospitalar;
Região Norte 90,8%
Região Nordeste 95,3%
Região Sudeste 99,1%
Região Sul 99,0%
Região Centro Oeste 99,3%
Morte Materna
Estima-se que ocorram 75 óbitos maternos para cada 100 mil nascidos vivos no Brasil
2005 1619 mortes maternas por causas evitavéis
Grave problema de subnotificação coreção de 40% (FSP-USP,2002)
Crescimento dos comitês de mortalidade materna de 495, em 2001, para 951, em 2005.
Aborto
686 mulheres são internadas pelo SUS a cada dia, em decorrência de complicações relacionadas ao aborto;
250.447 mulhers foram internadas em 2006, representando mais de 4 abortos para casa mil mulheres em idade fértil;
Os abortos contribuem com 15% da mortalidade materna.
Atênção Institucional ao Parto
Década de 40: Institucionalização do parto no Brasil;
Preocupação com a saúde materna restrita ao ciclo gravídicio-puerperal;
Década de 60: início da assistência pré natal nos centros de saúde com enfoque a redução da mortalidade infantil 9garantia de exércitos e trabalhadores);
Anos 80 integração de parteiras leigas ao sistema local de saúde no Ceará, promovida por Galba de Araújo.
1984 implantação do PAISM
1996 Projeto Maternidade Segura: (MS, FEBRASGO, UNICEF e OPAS)- reduzir a mortalidade materna e perinatal.
Há ainda vários problemas na sistematização à gestação e ao parto;
1 segmentação entre a rede básica e hospitalar
2 intervenção excessiva sobre o parto
3 alta do pré-natal por volta de 36- 38 semanas ( 7 semanas e meio)
4 ausência de um serviço de referência em casos de urgência ou trabalho de parto.
- O ministério da Saúde exercendo seu papel normatizador e regulador, vem implantando um conjunto de ações, atravéis de portarias ministeriais e leis com o objetivo de estimular a melhoria da assistência obstétrica;
- A análise destas portarias e em alguns casos de seus impactos iniciais, compões o panorama da assistência obstétrica atual e permite sua melhor compreensão.
PORTARIA;
2.815, DE 29 DE MAIO DE 1998;
- Esta portaria inclui na tabela do Sistema de Informações Hospitalares do US o procedimento " parto normal sem distócia realizado por enfermeiro obstetra''
PORTARIAS;
3.016 DE 19 DE JUNHO 1998
3.482, DE 20 DE AGOSTO DE 1998
3.477, DE 20 DE AGOSTO DE 1998
- Normatizam a Implantação de programas estaduais de referência Hospitalar para atendimento à gestação de risco;
PORTARIAS;
2.816, DE 29 DE MAIO DE 1998
865, DE 03 DE JULHO DE 1999
466, DE 14 DE JULHO DE 2000
426, DE 04 DE ABRIL DE 2001
- Determinam um pagamento de percentual máximo de cesarianas em relação ao numero total de partos de cada hospital;
As taxas de cesarianas apresentadas ao Sistema Único de Saúde SUS- declinaram; no momentp
32% em 1997
28% em 1998
25% em 1999
24% em 2000
PORTARIA 2.883, DE 04 DE JUNHO DE 1998
PORTARIA 1.406, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1999
- Institui o Prêmio Galba de Araújo com o Propósito de revelar ao Brasil experiências inovadoras na gestão pública, privilegiando o acolhimento da mulher e seu companheiro, no momento do parto.
LEI 11.108, DE 07/04/2005
- Garante o acompanhante da escolha da mulher no ciclo gravídicio-puerperal.
PORTARIA 569, DE 01 DE JUNH0 DE 2000
570, de 01 de junho de 2000
571, de 01 de junho de 2000
572, de 01 de junho de 2000
- iNSTITUI O PROGRAMA DE HUMANIZAÇÃO NO PRÉ-NATAL E NASCIMENTO;
- Vincula formalmente o pré-natal ao parto e puerpério, ampliando o acesso das mulheres e garantindo a qualidade com a realização de um conjunto mínimo de procedimentos.
Modelos de Atânção ao Parto
- Existem diversas formas ou modelos de organização da assistência ao parto;
- Os modelos de atênção poderiam ser classificados em três tipos, num gradiente determinado pelo papel ocupado pela parturiente e pelas intervenções médicas realizadas na assistência prestada;
MODELO MÉDICO OU TÉCNOLOGICO
- O parto ocorre em ambiente hospitalar;
- O profissional médico é responsavél pela assistência a todos os tipos de parto (baixo ou alto risco);
- Enfoque predominante no parto como risco potencial;
- utilização intensiva de novas tecnologias;
- Altas taxas de cesarianas e outras intervenções.
MODELO NATURAL
- A mulher é o foco das atenções;
- O parto é visto como evento fisiológico e normal que segue um curso natural;
- As intervenções necessárias são mínimas;
- A equipe mantém-se alerta para qualquer tipo de complicação;
- Os partos são acompanhados no domicílio ou centros de parto, por profissionais não médicos, sendo o uso de intervenção mínimo.
MODELO HUMANIZADO
- Posição intermediária entre os dois modelos;
- Os partos ocorrem em ambiente hospitalar
- Participação de profissionais não médicos na assistência aos partos de baixo risco (hierarquização do cuidado);
- Participação ativa da mulher e seus familiares;
- Uso mais restrito de intervenções médicas e de partos cesáreos.
Segundo essa classificação, existiriam atualmente no mundo três tipos de modelos de assistência ao parto:
- O altamente medicalizado, centrado no médico, com marginalização do trabalho das parteiras, encontrado por exemplo, nos EUA, Irlanda, Rússia e Brasil;
- A abordagem humanizada com trabalho mais autônomo de parteiras e taxas muito mais baixas de intervenções encontrada, por exemplo, Holanda, Nova Zelândia e países escandinavos;
- Uma mistura das duas abordagens encontradas, por exemplo, na Inglaterra, Canadá, Alemanha, Japão e Austrália.
Técnologia Apropiada ao Parto e Nascimento
Desde a década de 70 a OMS tem desenvolvidotem desenvolvido diversos trabalhos relacionados a assistência pré-natal e ao parto;
- expansão do uso da técnologia no parto;
- Custo elevado dessa tecnologia;
- Questionamentos sobre sua real necessidade.
Ao longo da década de 80, três conferências de concenso sobre o uso apropiado de tecnologia na assistência pré-natal, ao parto e após o nascimento foram realizadas, e resultaram na elaboração de diversas recomendações para essa assistência;
A OMS considera que para tornar as recomendações viáveis, são necessárias transformações na estrutura dos serviços de saúde, modificações nas atitudes das equipes e redistribuição de recursos físicos e humanos;
Em 1996 a OMS lançou uma publicação intitulada "PARTO NORMAL: UM GUIA PRÁTICO"
Nesta publicação as práticas obstétricas foram agrupadas em quatro categorias:
A- práticas que são reconhecidamente positivas e devem ser encorajadas
- Planejamento individual determinando onde e por quem o parto séra realizado;
- Avaliação de risco durante o pré-natal reavaliado a cada contato e no momento de trabalho de parto
- monitoramento do bem estar fisico e emocional da mulher durante o trabalho de parto
- Oeferecimento de líquido por via oral durante o trabalho de parto; (gestante tem muito gasto energético)
- Respeito a escolha da mulher sobre local do parto
- fornecimento de assistência Obstétrica no nível mais periférico onde o parto for seguro
- Respeito ao direito da mulher à privacidade no local do parto
- Apoio emocional pelos prestadores de serviço durante o trabalho de parto e parto
- Respeito a escolha da mulher sobre seus acompanhantes durante o trabalho de parto
- Fornecimento às mulheres de todas as informações e explicações que desejarem
- Métodos não invasivos e não farmacológicos de alívio da dor, como massagens e técnicas de relaxamento, durante o trabalho de parto
- Monitoramento fetal por meio de ausculta intermitente e vigilância das contrações uterinas por palpação abdominal
B- práticas que são claramente prejudiciais ou ineficazes e devem ser abandonadas
- uso rotineiro de enema
- Uso rotineiro de tricotomia
- Infusão intravenosa de rotina no trabalho de parto (ocitocina)
- Cateterização venosa profilática de rotina
- Administração de ocitócitos antes do parto de um mode que não se permita controlar seus efeitos
- Uso rotineiro da posição de litotomia
- Esforços de puxos prolongados e dirigidos (quando o bebê atinge a cavidade perineal a mulher vai empurrar sozinha)
C- práticas para as quais ainda não existe conhecimento científico suficiente para que o seu uso possa ser recomendado com segurança e que devem ser usadas com cautela
- Métodos não farmacológicos de alívio da dor durante o trabalho de parto, ervas, imersão em água e estimulação de nervos
- Pressão no fundo uterino durante o período expulsivo
- Manobras relacionadas à proteção ao períneo e do colo cefálico no monento do parto
- Clampeamento precoce do cordão umbilical
- Estimulação do mamilo para aumentar a contratilidade uterina durante o terceiro estágio do parto
D- práticas que são utilizadas frequentemente de maneira inapropiada
- Restrição hídrica e alimentar durante o trabalho de parto
Controle da dor por agentes sistêmicos
- Controle da dor por analgesia peridural
- Monitoramento eletrônico fetal
- Exames vaginais repetidos ou frequentes, especialmente por mais de um prestador de serviço
- Transfência rotineira da parturiente para outra sala no início do segundo estágio do trabalho de parto.
Humanização do Parto e Tecnologia
A idéia de humanizar o nascimento esforça-se para oferecer o melhor de dois mundos, ao procurar o resgate do suporte social, emocional, afetivo e espiritual às mulheres em trabalho de parto, ao mesmo tempo que oferece o melhor da técnologia salvadora para aquelas mulheres que se afastam do rumo da fisiologia e se dirigem ao caminho perigoso da patologia.
- Não há porque negar o recurso tecnologico para resgatar vidas que se apresentam em risco;
- Por outro lado não há razão para se alterar de tal maneira e com tanta intensidade um evento tão humano quanto o parto
- De tão artificializado, o nascimento de um individuo desfigurou-se aponto de nem ser mais reconhecido como processo ligado a reprodução e a natureza.
O que é um ''Profissional Humanizado" e como reconhece-lo?
- Profissional Humanizado é todo aquele que entende as dimensões subjetivas do seu paciente como prioritárias;
- É o profissional que encara toda paciente como única, irreprodutível e diferente de todas as outras;
- Encara o nascimento como momento único;
- Trata seus pacientes com gentileza e respeito;
- Posiciona-se como uma intãncia de orientação técnica e não como propietário do evento;
- Debate incansavelmente com sua paciente sobre todos os aspéctos técnicos do nascimento, usando palvras de fácil compreensão e sempre respeitando a visão que a mulher tem do processo;
- Usa os protocolos mais atualizados, como a medicina baseada em evidências, para o tratamento de suas pacientes, mas sempre leva em consideração a dimensão subjetiva de cada uma;
- É um profissional que alia as habilidades técnicas com uma postura compassiva em relação as mulheres grávidas;
- Um humanista do nascimento sabe que as rotinas em qualquer centro obstétrico no mundo são extremamente invasivas, e que essa interferência no processo natural pode ter repercussões dramáticas nos resultados do nascimento;
- Procura ter como meta um parto em que o menor número de intervenções ocorra, ao mesmo tempo em que se preocupa com o máximo de segurança e be estar para todos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL AGENCIA NACIONAL DE SAUDE SUPLEMENTAR
O MODELO DE ATENÇAO OBSTETRICA NO SETOR DE SAUDE SUPLEMENTAR NO BRASIL; CENARIOS E PERSPECTIVAS. RIO DE JANEIRO ANS,2008
BRASIL MINISTERIO DA SAUDE. SECRETARIA DE GESTAO ESTRATEGICA E PARTICIPATIVA
BRASIL MINISTERIO DA SAUDE SECRETARIA DE POLITICAS DA SAUDE, AREA TECNICA DE SAUDE DA MULHER
